terça-feira, 24 de novembro de 2009

Legião Urbana - Eduardo e Mônica, Uma Análise Psico-Neurótica

Esse divertidíssimo texto já tinha sido publicado na versão anterior do meu blog. Trata-se de uma análise muito engraçada e inteligente do que o nosso grande Renato Russo tinha na cabeça quando compôs Eduardo e Mônica, uma de suas grandes canções. Acho que vale a pena repostá-lo.



O falecido Renato Russo era, sem dúvida, um ótimo músico e um excelente letrista. Escreveu verdadeiras obras de arte cheias de originalidade e sentimento. Como artista engajado que era, defendia veementemente seus pontos de vista nas letras que criava. E por isso mesmo, talvez algumas delas excedam a lógica e o bom senso. Como no caso da música Eduardo e Mônica, do álbum "Dois" da Legião Urbana, de 1986, onde a figura masculina (Eduardo) é tratada sempre como alienada e inconsciente, enquanto a feminina (Mônica) é a portadora de uma sabedoria e um estilo de vida evoluidíssimos. analisemos o que diz a letra.


Logo na segunda estrofe, o autor insinua que Eduardo seja preguiçoso e indolente (Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar; Ficou deitado e viu que horas eram) ao mesmo tempo que tenta dar uma imagem forte e charmosa à Mônica (enquanto Mônica tomava um conhaque noutro canto da cidade como eles disseram). Ora, se esta cena tiver se passado de manhã como é provável, Eduardo só estaria fazendo sua obrigação: acordar. Já Mônica revelaria-se uma cachaceira profissional, pois virar um conhaque antes do almoço é só para quem conhece muito bem o ofício.

Mais à frente, vemos Russo desenhar injustamente a personalidade de Eduardo de maneira frágil e imatura (Festa estranha, com gente esquisita). Bom, "Festa estranha" significa uma reunião de porra-loucas atrás de qualquer bagulho para poderem fugir da realidade com a desculpa esfarrapada de que são contra o sistema. "Gente esquisita" é, basicamente, um bando de sujeitos que têm o hábito gozado de dar a bunda após cinco minutos de conversa. Também são as garotas mais horrorosas da via-láctea. Enfim, esta era a tal "festa legal" em que Eduardo estava. O que mais ele podia fazer? Teve que encher a cara pra agüentar aquele pesadelo, como veremos a seguir.

Assim temos (- Eu não estou legal. Não agüento mais birita). Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios. Bem ao contrário de Mônica, uma notória bêbada sem-vergonha do underground.

Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram (E a Mônica riu e quis saber um pouco mais Sobre o boyzinho que tentava impressionar). Vamos por partes: em "E a Mônica riu" nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Mônica para com Eduardo. Ela ri de um bêbado inexperiente! Mais à frente, é bom esclarecer o que o autor preferiu maquiar. Onde lê-se "quis saber um pouco mais" leia-se" quis dar para"! É muita hipocrisia tentar passar uma imagem sofisticada da tal Mônica.

A verdade é que ela se sentiu bastante atraída pelo "boyzinho" que tentava impressionar"! É o máximo do preconceito leviano se referir ao singelo Eduardo como "boyzinho". Não é verdade. Caso fosse realmente um playboy, ele não teria ido se encontrar com Mônica de bicicleta, como consta na quarta estrofe (Se encontraram então no parque da cidade A Mônica de moto e o Eduardo de camelo). Se alguém aí age como boy, esta seria Mônica, que vai ao encontro pilotando uma ameaçadora motocicleta. Como é sabido, aos 16 (Ela era de Leão e ele tinha dezesseis) todo boyzinho já costuma roubar o carro do pai, principalmente para impressionar uma maria-gasolina como Mônica.

E tem mais: se Eduardo fosse mesmo um playboy, teria penetrado com sua galera na tal festa, quebraria tudo e ia encher de porrada o esquisitão mais fraquinho de todos na frente de todo mundo, valeu?

Na ocasião do seu primeiro encontro, vemos Mônica impor suas preferências, uma constante durante toda a letra, em oposição a uma humilde proposta do afável Eduardo (O Eduardo sugeriu uma lanchonete Mas a Mônica queria ver filme do Godard). Atitude esta, nada democrática para quem se julga uma liberal.

Na verdade, Mônica é o que se convencionou chamar de P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas, alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto em geral), que acham que todo filme americano é ruim e o que é bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado para caralho e com bastante cenas de baitolagem.

Em seguida Russo utiliza o eufemismo "menina" para se referir suavemente à Mônica (O Eduardo achou estranho e melhor não comentar. Mas a menina tinha tinta no cabelo). Menina? Pudim de cachaça seria mais adequado. Ainda há pouco vimos Mônica virar um Dreher na goela logo no café da manhã e ele ainda a chama de menina? Além disto, se Mônica pinta o cabelo é porque é uma balzaca querendo fisgar um garotão viril. Ou então porque é uma baranga escrota.

O autor insiste em retratar Mônica como uma gênia sem par. (Ela fazia Medicina e falava alemão) e Eduardo como um idiota retardado (E ele ainda nas aulinhas de inglês). Note a comparação de intelecto entre o casal: ela domina o idioma germânico, sabidamente de difícil aprendizado, já tendo superado o vestibular altamente concorrido para Medicina. Ele, miseravelmente, tem que tomar aulas para poder balbuciar "iéis", "nou" e "mai neime is Eduardo"! Incomoda como são usadas as palavras "ainda" e "aulinhas", para refletir idéias de atraso intelectual e coisa sem valor, respectivamente.

Na seqüência, ficamos a par das opções culturais dos dois (Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, De Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud). Temos nesta lista um desfile de ícones dos P.I.M.B.A., muito usados por quem acha que pertence a uma falsa elite cultural. Por exemplo, é tamanha uma pretensa intimidade com o poeta Manuel de Souza Carneiro Bandeira Filho, que usou-se a expressão "do Bandeira". Francamente, "Bandeira" é aquele juiz que fica apitando impedimento na lateral do campo. O sujeito mais normal dessa moçada aí cortou a orelha por causa de uma sirigaita qualquer. Já viu o nível, né? Só porra-louca de primeira. Tem um outro peroba aí que tem coragem de rimar "Êta" com "Tiêta" e neguinho ainda diz que ele é gênio!

Mais uma vez insinua-se que Eduardo seja um imbecil acéfalo (E o Eduardo gostava de novela) e crianção (E jogava futebol de botão com seu avô). A bem da verdade, Eduardo é um exemplo. Que adolescente de hoje costuma dar atenção a um idoso? Ele poderia estar jogando videogame com garotos de sua idade ou tentando espiar a empregada tomar banho pelo buraco da fechadura, mas não. Preferia a companhia do avô em um prosaico jogo de botões! É de tocar o coração. E como esse gesto magnânimo foi usado na letra? Foi só para passar a imagem de Eduardo como um paspalho energúmeno. É óbvio, para o autor, o homem não sabe de nada. Mulher sim, é maturidade pura.

Continuando, temos (Ela falava coisas sobre o Planalto Central, Também magia e meditação). Falava merda, isso sim! Nesses assuntos esotéricos é onde se escondem os maiores picaretas do mundo. Qualquer chimpanzé lobotomizado pode grunhir qualquer absurdo que ninguém vai contestar. Por que? Porque não se pode provar absolutamente nada. Vale tudo! É o samba do crioulo doido. E quem foi cair nessa conversa mole jogada por Mônica? Eduardo é claro, o bem intencionado de plantão. E ainda temos mais um achincalhe ao garoto (E o Eduardo ainda estava no esquema escola - cinema - clube - televisão). O que o Sr. Russo queria? Que o esquema fosse "bar da esquina - terreiro de macumba - sauna gay - delegacia"?? E qual é o problema de se ir a escola?!?

Em seguida, já se nota que Eduardo está dominado pela cultura imposta por Mônica (Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar). Por ordem:

1) Teatro e artesanato não costumam pagar muito imposto.

2) Teatro e artesanato não são lá as coisas mais úteis do mundo.

3) Quer saber? Teatro e artesanato é coisa de viado!!!

Agora temos os versos mais cretinos de toda a letra (A Mônica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar). Mais uma vez, aquela lengalenga esotérica que não leva a lugar algum. Vejamos: Mônica trabalha na previsão do tempo? Não. Mônica é geóloga? Não. Mônica é professora de química? Não. A porra da Mônica é alguma aviadora? Também não. Então que diabos uma motoqueira transviada pode ensinar sobre céu, terra, água e ar que uma muriçoca não saiba?

Novamente, Eduardo é retratado como um debilóide pueril capaz de comprar alegremente a Torre Eiffel após ser convencido deste grande negócio pelo caô mais furado do mundo. Santa inocência... Ainda em (Ele aprendeu a beber), não precisa ser muito esperto pra sacar com quem... é claro, com a campeã do alambique! Eduardo poderia ter aprendido coisas mais úteis, como o código morse ou as capitais da Europa, mas não. Acharam melhor ensinar para o rapaz como encher a cara de pinga. Muito bem, Mônica! Grande contribuição!

Depois, temos (deixou o cabelo crescer). Pobre Eduardo. Àquela altura, estava crente que deixar crescer o cabelo o diferenciaria dos outros na sociedade. Isso sim é que é ativismo pessoal. Já dá pra ver aí o estrago causado por Mônica na cabeça do iludido Eduardo.

Sempre à frente em tudo, Mônica se forma quando Eduardo, o eterno micróbio, consegue entrar na universidade (E ela se formou no mesmo mês em que ele passou no vestibular). Por esse ritmo, quando Eduardo conseguir o diploma, Mônica deverá estar ganhando o seu oitavo prêmio Nobel.

Outra prova da parcialidade do autor está em (porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação). É interessante notar que é o filho do Eduardo e não de Mônica, que ficou de segunda época. Em suma, puxou ao pai e é burro que nem uma porta.

O que realmente impressiona nesta letra é a presença constante de um sexismo estereotipado. O homem é retratado como sendo um simplório alienado que só é salvo de uma vida medíocre e previsível graças a uma mulher naturalmente evoluída e oriunda de uma cultura alternativa redentora. Nesta visão está incutida a idéia absurda que o feminino é superior e o masculino, inferior. É sabido que em todas culturas e povos existentes o homem sempre oprimiu a mulher. Porém, isso não significa, em hipótese alguma, que estas sejam melhores que os homens. São apenas diferentes. Se desde o começo dos tempos o sexo feminino fosse o dominador e o masculino o subjugado, os mesmos erros teriam sido cometidos de uma maneira ou de outra. Por que? Ora, porque tanto homens quanto mulheres e colunistas sociais fazem parte da famigerada raça humana. E é aí que sempre morou o perigo. Não importa que seja Eduardo, Mônica ou até... Renato!

 
Por Adolar Gangorra, Jornalista - retirado originalmente do site whiplash.net

De volta

Tanta coisa passando, tantos acontecimentos, o mundo girando, cada vez mais quente... e eu sem meu notebook pra registrar tudo! mas, pelo menos temporariamente (já que o diagnóstico foi cruel com meu equipamento: perda total) aqui estou novamente.

Mãos à obra. Grande abraço a todos.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pequeno Gesto de Agradecimento




Um mês e três dias. Eram aproximadamente dez da noite de 27 de setembro deste ano quando terminei o primeiro post dessa reedição do Repensando.

Hoje, 33 dias depois, este blog atinge a marca simbólica de 100 acessos. Lógico, é uma marca simbólica, já que vários desses 100 acessos foram meus; Mas nesse pouco mais de um mês, arregimentei em torno dessa ideia não só um número exato, mas algo que vai muito além.

É sensacional saber que, no infinito mundo da world wide web, existem pessoas que se importam com o que eu penso, e mais - trocam ideias sobre o que escrevo. Enfim, repensam junto comigo.

Pelo carinho com que fui recebido na blogosfera, posso garantir uma coisa aos que lêem. O Repensando voltou pra ficar. Espero estar com vocês por muito tempo.

Obrigado a todos!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Som do momento

Ás vezes me encontro totalmente apaixonado por sons e músicas, que chegam aos meus ouvidos de forma meio que aleatória. Pior, muitas vezes, esses sons são antigos - mas a verdadeira música não tem prazo de validade, não é mesmo?

Dessa forma, deixo vocês com o vídeo de um dos sons mais angustiantes - no bom sentido -  que já ouvi na vida: Black, do álbum Ten, da banda americana Pearl Jam (uma das poucas coisas norte-americanas que valem a pena). A quem tiver mais um tempo, sugiro pesquisar a tradução na web. Uma tensa letra, sobre uma ansiosa estrutura musical, tudo dentro de um álbum obscuro, mas sensacional.

Versão Ao Vivo
http://www.youtube.com/watch?v=AFVlJAi3Cso

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Rápidas III - Política (A Semana)






Hoje é sexta feira. Para alguns, o início do descanso do fim de semana, merecido depois de cinco dias de muita labuta. Para os mais dispostos, somente o início da balada, do chopinho e da azaração. Tem os que fazem as duas coisas - como também têm os que não fazem nenhuma, sendo o fim de semana somente mais dois dias de trabalho (já fui um deles, no começo da minha vida profissional, como vendedor de medicamentos).

Esta mesma sexta-feira, agora, será o dia em que atualizarei a semana na política alagoana e brasileira. Muita coisa mudou nesse meio tempo. A minha vida de consultor em telecomunicações, embora permaneça viva, agora dá lugar, mesmo que temporariamente, ao cargo de assessor parlamentar. Estar na Assembleia Legislativa de Alagoas, que alguns chamam de "casa dos horrores", tem me mostrado um mundo novo, em que as coisas nem sempre querem dizer aquilo que realmente são (espero que tenham entendido a expressão).

Não seria louco de ter a pretensão de explicar o que acontece na política local. Os Ricardos Motas e os Bernardinos da vida já exercem muito bem essa função (e têm costas quentes o suficiente para tal). Quero somente expressar, dar publicidade e, claro, colher opiniões sobre o que acontece por lá. É aí que vocês, meus poucos mais fiéis leitores. Além de acessar, peço que comentem, me ajudem no sentido de melhorar cada vez mais o conteúdo do que escrevo.

Conto com vocês.

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Vazio
É preocupante (e as vezes  irritante) a falta de frequência dos deputados na Assembleia. Em 2006, foram eleitos 27 representantes do povo para o trabalho legislativo, mas pouco mais de dez a doze podem receber o rótulo de assíduos às sessões. E mais: frequentando a casa desde o dia 10 de setembro, ainda não encontrei, nem em plenário nem pelos corredores, a maioria deles. Um experiente jornalista, amigo meu, explica que vários deles "não têm saco" para frequentar as sessões; ficam bocejando, conversando ao celular, formando patotas (como nos tempos de colégio) ou mesmo cochilando durante os pronuciamentos. Existem ainda os que, em mais de três anos de mandato, não fizeram sequer um (!) pronunciamento no plenário. Ora, se não "têm saco" para legislar, por que estão lá?

"O tucanato alagoano, inclusive o governador, têm um problema de aerodinâmica. Está difícil levantar vôo."
A frase dita acima é do deputado Paulão (PT) chamado ao debate sobre segurança pública pelo deputado Temóteo Correia (DEM), provavelmente opinando sobre os modestos números do governador na disputa do próximo ano. Temóteo poderia dormir sem ouvir essa.


Fique Alerta I
Essa não ocorreu essa semana, mas vale a pena citar: não foi nada amistosa a recepção dada ao deputado Jefferson Morais (DEM) pelo colega Antonio Albuquerque (PTdoB). Quem estava presente no momento da posse, afirma com certeza que Morais  - que assumiu por 121 dias, devido a licença de João Beltrão (PSC) - saiu da sessão com problema de circulação na mão esquerda, tal a força do aperto "cordial" dado por Albuquerque.

Fique Alerta II
Aliás, o deputado entrou disposto a marcar definitivamente a sua presença na Assembleia. Dono de informações "privilegiadas", Morais denunciou esta semana a farra de concursados da Polícia Civil, que moram em outros estados e pagam parte de seus salários para os que moram aqui tirarem seus plantões. Vale lembrar que isso fere a moralidade do serviço público, que versa que o servidor deve morar no local onde trabalha, principalmente em caso de funcionários do setor de segurança pública.

Mulheres
Muito pouco expressiva a bancada feminina na ALE. Das três deputadas eleitas em 2006, uma renunciou (Claudia Brandão) para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado; outra (Flávia Cavalcante) está no ciclo final de gravidez; e a outra (Cáthia Lisboa Freitas)... ah, essa mora lá em Piranhas, muito longe pra comparecer na Assembléia, né?

Ferro
Encerra-se hoje (23) a licença do deputado Cícero Ferro (PMN). Isso significa que a partir da próxima terça-feira, durante a próxima sessão (se comparecer), receberá a intimação para apresentar sua defesa e tirar o selo do Conselho de Ética. Qual será o próximo capítulo dessa novela? Aguardemos a próxima semana - vocês podem ler aqui, no Repensando!

Vazio
Não chegou a ser esvaziada, mas foi muito aquém do que o tema merecia. Assim foi a sessão especial da ALE que debateu os novos caminhos para a educação, proposta pelo deputado Alberto Sextafeira (PSB). Além do propositor, somente os deputados Jeferson Morais (DEM) e Judson Cabral (PT) marcaram presença. Tirando o democrata, ficou paracendo sessão do PT, já que também estavam presentes o subsecretário de educação Thomaz Beltrão e diretores do Sinteal. A sessão serviu para debater o Plano Nacional de Educação e preparar a Conferência Estadual de Educação, que acontecerá em novembro. Pelo que se vê, na cabeça dos deputados, escola não dá voto.

Começou
Falando em Sexta, já começou a festa dos adesivos dos deputados nos carros pelo Estado - artifício proibido em outras eleições pela justiça. O primeiro que vi por esses dias foi um "X" preto, alusão à marca do deputado Alberto Sextafeira. Aliás, quem liga pra decisão da justiça? Aquele "Amo Alagoas", de outro conhecido deputado, nunca saiu dos carros pelas estradas afora.

Vai ou não vai?
Essa é a pergunta que a todo momento se faz ao prefeito Cícero Almeida (PP). A resposta, da mesma forma, muda a todo momento. Até a semana passada, era não vou; agora, depois de passar o olho em algumas pesquisas, discretamente já começa a ensaiar um vou. O medo de Ciço, em reservado, é deixar a prefeitura nas mãos da desafeta Lurdinha Lyra, e não ganhar nada, ficando a ver navios. Sem mandato, o prefeito poderia se complicar na ação dos Taturanas. Deve estar com a cabeça quente.

Acordo
Dizem os mais próximos que existe uma forte pressão de JL para que o prefeito cumpra o suposto acordo, fechado ainda em 2008, com o usineiro: dois anos para Almeida, dois anos para Lurdinha, com o primeiro saindo candidato ao governo do estado.

TPM
Quem entende o comportamento da vereadora Tereza Nelma em 2009? primeiro, a briga com a vereadora Heloísa Helena, que devolveu a simpatia, chamando-a de "porca trapaceira"; esta semana foi com os vereadores Silvio Camelo e Marcelo Gouveia, acusada de emitir pareceres das comissões sem o conhecimento dos demais colegas. Por fim, a briga com a direção estadual do PSB, que culminou na sua exoneração da presidência municipal do partido. Desse jeito, vai acabar sozinha nas suas opiniões. Ideal seria o seu marketeiro-marido, Renato Soares, propor uma mudança de comportamento.

Pergunta
Quem será, afinal de contas, o candidato do frentão nas próximas eleições ao governo? Ciço, Lessa, Collor ou Renan?



PS: Meus queridos leitores, comentem e me ajudem a melhorar cada vez mais esse espaço! conto com as opiniões de vocês.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Rápidas II (amenidades)

Um belo dia, tão curioso e fustigador que sou, perguntei a um amigo o que ele tinha achado deste blog. Ele, simples e amável como um doce de concreto armado, me disse: "tá ótimo, mas voce precisa variar os temas. É só política e telefonia, tem hora que vai enjoar".

Atendendo ao pedido deste meu bom amigo, seguem algumas rapidinhas sobre assuntos cotidianos, um pouco mais descompromissados com a crueza do dia a dia que encaro.




TV
Já tem um tempinho que aconteceu, mas não torna o comentário menos pertinente: que papelão da TV Alagoas, hein? é no mínimo uma falta de consideração com o telespectador, deixar de retransmitir a programação do SBT. Assistir ao bispo Valtemir Santiago, vulgo pato rouco 24 horas por dia não é pra qualquer um. Quem sofre, no final das contas, é coitado que mora nas redondezas, e que de tanto ouvir o bispo e sua toalhinha, vai acabar caindo no canto da sereia.

Pinto
Calma, não é o da madrugada, mas o de Luna, ex-delegado federal e futuro aspirante a senador da república. Agora, o Dr Pinto tem um blog no portal Cada Minuto, onde tenta desfazer a imagem de delegado linha dura e emplacar a de funcionário federal boa pinta, contando alguns causos de sua vida - por enquanto, todos muito sem sal.

Blogueiros
Aliás, esses senhores  - exceção do Dr Pinto - deveriam ser menos escancarados quando escrevem em seus blogs nos portais alagoanos. Cada um com uma defesa insana de seus padrinhos políticos, que chega a dar náusea em quem lê. Maiores informações, procurem no Tudo na Hora, Cada Minuto ou Alagoas 24 Horas.

Campeão
Quem será o campeão brasileiro desse ano? já que o meu timão (ao que parece) tá fora do páreo, eu jogo as minhas fichas em Atlético Mineiro e Flamengo. O primeiro vem numa fase muito consistente, e montou uma boa equipe em todos os setores; O segundo tem a mística da reta final, que quando chega disputando é difícil derrubar, além de também ter um grupo forte. Se vencer mais uma, entra no G4 e ninguém segura.

Já na segundona...
... o pau tá cantando. O Vasco, depois da vitória de hoje, já está garantido. O Guarani é outro que retorna. A partir daí... tem 4 equipes disputando duas vagas - Ceará, Atlético de Goiás, Figueirense e Portuguesa, separados por apenas um ponto. Torço pra que o Ceará suba, pois certamente teremos baixas de clubes do nordeste na série A (Sport e Náutico estão na rabeta).

Só mais uma...
Sobre as operadoras de telefonia celular: será que estão lendo, ou o tema realmente é quente? tem enquete no portal Alagoas 24 horas quase copiada deste blog. É ponto!

Shopping
Eu não sei como (também não sou engenheiro pra saber), mas tem quem garanta que o novo shopping Pátio Maceió será aberto no próximo dia 12 de novembro - portanto, daqui a 22 dias. Pra quem passa em frente, essa parece ser uma tarefa impossível, pois somente o esqueleto está de pé - resta ainda todo o acabamento. O pessoal vai ter que se apressar, pois existe uma multa de R$ 100 mil por dia se a direção não cumprir a data. Valor que deve ser pago às chamadas lojas âncora (Wal-Mart e Americanas).

Super Man
Boas risadas, como há muito não fazia. Foi assim que li (e vi) o senador Suplicy vestindo uma cueca vermelha por cima do terno, nos corredores do senado durante a semana passada. Certamente foi a cena mais bizarra que vi esse ano em política - a segunda também foi dele, mostrando um cartão vermelho pros colegas em plena sessão. O que será que tá dando nele? Será que despirocou de vez? Veja aqui o que o senador super-man protagonizou.

Gilmar ameaça Lula e Dilma

Só podia virar charge...



Charge de Frank para o Jornal A Notícia (SC)

domingo, 18 de outubro de 2009

"Hiato indefinido" (Los Hermanos)




Prezados,

Por um tempo, e já me desculpando, estou impossibilitado de postar novidades e falar sobre temas que tanto me incomodam. Nesses dias, meu notebook está quebrado, o que me deixará mais alguns dias longe daqui - logo agora, que já me acostumava a anotar um assunto importante do dia, para mais tarde "postar no blog".

Peço desculpas a todos, e prometo voltar em mais alguns dias, a todo vapor. Enquanto isso, continuem lendo meus blogs parceiros, a leitura leve do Contatos Imediatos, a acidez na medida do Política Ácida ou os textos sempre politizados do Blog do Cadu.

Grande abraço.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A decadência da ex-líder

Portal Cada Minuto: "TIM não comparece à sessão que debateu má qualidade do serviço"

Portal Cada Minuto - Blog do Agreste: "O satanás da TIM e o inferno da paciência"

Portal Alagoas Última Hora: "TIM falta à sessão pública para debater qualidade da telefonia celular"




Não precisa procurar muito, nos sites de notícias em Alagoas e em outras regiões, para se chegar à conclusão de que a TIM realmente não está prestando um bom serviço no estado.

A reclamação é antiga: desde a época que iniciei o trabalho nessa área, há aproximadamente três anos, vejo os clientes da TIM insatisfeitos com o serviço. Ademais, como diz o ditado, "nada está tão ruim que não possa piorar"; no princípio, as principais reclamações eram queda da ligação e ausência de cobertura em locais onde existia rede, em tese. Esses problemas, tal como uma bola de neve, foram aumentando, e hoje a reclamação diz respeito até a call center, o que não era o calcanhar de aquiles dessa operadora.

Vale, para os mais novos, um pequeno histórico desses acontecimentos. Porque a TIM, segundo se propaga (já desfiz esse boato em outro post), tem a "melhor" cobertura do estado? isso não existe, é balela. A TIM herdou, sabe-se lá como, todo o espólio da antiga Telasa Celular, que existiu por aqui até o final dos anos 90. Com a privatização das teles, ess foi o único investimento que a empresa então italiana fez por aqui. Desde essa época, a única melhoria que ocorreu em seus sistemas foi o upgrade da rede TDMA para a GSM - uma questão de sobrevivência mercadológica, e não de preocupação com o cliente.

Hoje, fala-se aos quatro cantos, em termos de telefonia, das redes 3G. A TIM é a única operadora que ainda não implantou essa tecnologia em Alagoas, nem na torre ao lado da sua sede, na praia da avenida.

Felizmente, essa não é uma realidade apenas alagoana. Para se ter uma noção exata do descaso da TIM com os seus clientes, basta dar uma olhada nos números da Anatel, a agência que regula esse serviço. Ela é líder nacional no ranking de reclamações, com um número quase 10 vezes maior do que a última colocada.

Muito válida a tentativa dos deputados de esclarecer a carência de investimentos dessa operadora no estado. Afinal, frequência de telefonia celular é uma concessão pública. Os milhões que a TIM lucra todo ano com os grandes centros se deve basicamente a uma concessão que lhe foi dada. É preciso fiscalizar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rápidas I

Com o intuito de acompanhar (ou pelo menos tentar) a velocidade alucinante da internet, onde tudo é novidade e logo depois já passou, escrevo algumas notas rápidas sobre os temas que estão na discussão diária da cidade, do estado, do país e do mundo.

Prefeituras I
Pra começar, concodância total no que escreve o Odilon, do alagoas24horas.com.br. De um lado, os prefeitos esperneando por causa da queda no repasse de recursos da União; do outro, um pequeno apanhado, feito com base em dados de domínio público, que diz que os repasses do governo federal mais que dobraram num intervalo de 5 anos. Afinal, quem fala a verdade? os dados públicos nos sites oficiais ou os nossos queridos prefeitos?

Prefeituras II
Aliás, vamos concordar, fechar prefeitura, hospital, escola e todos os órgãos públicos municipais é o fim da picada. Cabe uma consulta ao ministério público, sobre a legalidade.

Sem Espaço
Terça feira é dia de sessão na Assembléia Legislativa. Por mais que alguns deputados tentem mudar o rumo do assunto e virar o disco, os jornalistas de plantão não querem saber de outra coisa: as manchetes estão guardadas para mais um capítulo da disputa entre legislativo e judiciário.

Castelo
Basta uma pequena pesquisa no livro de protocolos da assembléia para se chegar a uma surpreendente conclusão: lembra do deputado Castelo, aquele que estava no mandato com 400 votos? pois é, ele é um dos campeões em apresentação de projetos à mesa diretora - uma média de quatro indicações por sessão. Haja paciência e criatividade. Uma pena que os assuntos nem sempre eram tão interessantes.

Cobertura I
O senador Renan Calheiros, em pronunciamento recente, garantiu que ouviu do ministro das comunicações, Hélio Costa, que Alagoas terá pelo menos uma operadora de telefonia celular em cada um dos 102 municípios do estado até o final de abril de 2010. Boa notícia para os usuários e também para o mercado de telecom local.

Cobertura II
Aliás, só para ilustrar o parâmetro atual, a Claro é a líder de cobertura no estado, com 65 municípios cobertos, seguido pela TIM (54), Oi (35) e Vivo (15). Os dados são do site teleco.com.br.

Difícil
Ficou muito difícil a situação para o piloto brasileiro Rubens Barrichello finalmente se tornar campeão mundial. Com 14 pontos de desvantagem em realção ao inglês Jenson Button e às portas da demissão na Brawn, resta ao "azarado" brasileiro a busca de uma vaguinha na Williams.

Sorteados
Campestre e Olho D'agua das Flores foram os contemplados com a mais nova auditoria da Controladoria Geral da União, que vai fiscalizar a aplicação dos recursos federais no município. No segundo, já pesa uma recente operação policial que prendeu até a primeira dama da cidade. Será que vem mais chumbo grosso por aí?

Sociologia
Haja exercício de sociologia para entender o grupão que se formou em Brasília semana passada, com Renan, Collor, Ronaldo Lessa, JL, Ciço Almeida, Biu Lira e cia. Renan quer o senado, assim como Biu, enquanto Lessa mira de novo o governo do estado. Resta explicar ao eleitorado a ciência para acomodar Collor e o PT nesse mesmo palanque.

Pra encerrar...
Uma pergunta pertinente: que cargo disputará o suplente de vereador Marcelo Malta em 2010?

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